Ilíada e modelos (falhos) de liderança

"Líderes fracassam na Ilíada e as pessoas morrem como resultado." Essa frase está num livro maravilhoso que estou lendo sobre Homero (fruto do trabalho da pesquisadora Barbara Graziosi, que referencio mais abaixo).

Obviamente o livro não é focado em liderança corporativa, mas a autora trouxe esse aspecto ao abordar as motivações de três personagens fundamentais da célebre história: Aquiles, Heitor e Agamemnon.

Para quem não lembra, Ilíada descreve a queda da cidade de Troia, decorrente da guerra empreendida pelos gregos de então, mais especificamente os aqueus, como consequência do rapto de Helena, esposa de Menelau, por Páris, um dos príncipes troianos.

Então, considerando isso, achei bacana pensar naqueles três personagens como modelos de liderança. Então, vamos relembrar rapidinho quem é cada um deles.

Aquiles é filho do rei Peleu com a ninfa Tetis, um ser mitológico. Por sua natureza híbrida, nasce com poderes superiores aos dos homens comuns. Aquiles é o guerreiro perfeito e, por isso, é uma peça-chave e necessária para garantir a vitória grega na guerra. Ele inspira os companheiros de exército a lutar, mas sua motivação para participar da empreitada, no entanto, está em colocar em prática aquilo pelo qual existe, aquilo que o distingue de todos, e que não necessariamente está conectado com o objetivo do grupo. E isso é corroborado, ao longo dos acontecimentos, pois, após uma divergência com Agamemnon, Aquiles se recusa a continuar lutando, o que causa perdas enormes ao exército aqueu. Ou seja, a vaidade de Aquiles acaba levando à morte centenas de seus companheiros.

E quem é Heitor? Heitor é o filho mais velho de Príamo, rei de Troia. Ele é um príncipe virtuoso e honrado, que conhece suas responsabilidades com o povo troiano, assim como à sua esposa e filhos. Heitor também é um grande guerreiro, mas suas habilidades não se equiparam às sobrenaturais de Aquiles. Assim, em um dos episódios mais dramáticos, Heitor mata por engano Pátroclo, o grande companheiro (e amor) de Aquiles, que se vinga dele tirando sua vida. Qual a falha de, Heitor, então? Infelizmente, apesar de virtuoso, Heitor não traça uma estratégia que possibilitaria proteger Troia, encarando um embate corpo a corpo sabendo que isso levaria à sua morte.

E por falar em Agamemnon, que tipo de líder ele é? Ele é o rei mais poderoso da Grécia. Luta pela honra (Menelau é seu irmão) e, para isso, consegue mobilizar os exércitos de diversos reis (Ulisses, entre eles) e grandes guerreiros (além de Aquiles, Ájax e Diomede). Seu objetivo: destruir Troia. Agamemnon é focado, não se dobra diante das dificuldades e mesmo com todos os revezes, consegue a vitória almejada. Porém, ele também é cruel, a ponto de sacrificar a própria família para agradar aos deuses, e vaidoso. Sua divergência com Aquiles atrai diversas pragas para seu exército.

Então, pensando nesses personagens como modelos de liderança, poderíamos pensar no seguinte. Aquiles seria aquele profissional de altíssimo desempenho, cuja atuação é inspiradora e pode ser decisiva em um projeto, porém, sua vaidade pode levá-lo também ao fracasso.

Heitor, por sua vez, é aquele líder que todas as empresas buscam: profissional, preocupado com as pessoas e com os resultados, mas
que possui apenas visão tática efalha em ter uma visão estratégica.

E Agamemnon? Ele seria o CEO de uma grande empresa, que traça um objetivo e mobiliza toda a empresa para alcançá-lo. Porém, para isso, está disposto a sacrificar quem achar necessário ou quem acreditar que atrapalhe sua visão.

E aí? O que você achou desse conexão?

Por isso que eu sempre digo: LEIA OS CLÁSSICOS!

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