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Mostrando postagens de agosto, 2021

Sobre Redes, a origem da Internet e, de novo!, Complexidade

Outro dia escrevi sobre a relação entre (teoria de) sistemas e (teoria da) complexidade. Havia feito uma analogia de um sistema como se fosse uma gota de chuva num lago. Esse é um dos motivos pelos quais, ao poucos, o entendimento do mundo como sistema (ou diversos sistemas) caiu em desuso (embora empreguemos o termo em diversos outros contextos, especialmente no caso dos softwares, ou quando falamos de ecossistemas, mas isso é outra história). Um dos motivos pelos quais isso aconteceu foi justamente a ideia de fronteiras ou bordas, inerentes ao círculo, mas que não fazem muito sentido quando pensamos em redes. E, olha que interessante, lá atrás, ao longo da década de 1960, a pedido do Departamento de Defesa Americano, iniciou-se o desenvolvimento de um sistema de comunicação conectando alguns centros de pesquisa universitários. O princípio (ou finalidade) era muito simples: ele não poderia ser destruído caso fosse alvo de ataques (lembre-se de que a década de 1960 foi marcada pela Gue...

Sobre o Lifelong Learning, longevidade e curiosidades

Uma das mais recentes "sensações de verão" no campo da Educação é o que se chama "Lifelong Learning". O termo parece complexo, mas nada mais é que a ideia de permanecer estudando ao longo de toda a vida, mesmo em idades avançadas. Eu falei "sensação do verão", mas, na verdade, espero que esse fenômeno ultrapasse possíveis sazonalidades e seja, sim, perene. Imagine um mundo em que as pessoas continuem estudando e se aperfeiçoando até seu último suspiro!? Ideia maravilhosa! Se há alguns anos havia um estranhamento quando estudantes universitários se deparavam com colegas muito mais velhos na sala de aula, hoje isso se torna cada vez mais comum.  Obviamente o Lifelong Learning está relacionado ao aumento da longevidade e ao aumento das oportunidades de se continuar estudando mesmo quando já se está aposentado.  Mas o que eu gostaria de falar mesmo é sobre essa longevidade.  Porque hoje vivemos em sociedades em que as pessoas alcançam idades acima dos 70, 80 a...
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  Em tempos de Jogos Olímpicos, lembrei desse livro que li há algum tempo do filósofo Hans Ulrich Gumbrecht.  Ele aborda alguns temas muito bacanas, como o nosso encanto com a performance de certos atletas, a dimensão épica dos esportes olímpicos, a associação que fazemos entre atletas e herois.... Claaaro que, por ser um acadêmico, ele recupera alguns debates caros à história da filosofia, mas sem uma linguagem enfadonha. O livro, inclusive, é curtinho, com menos de 200 páginas. Enfim, fica a recomendação de leitura para todos aqueles que, como eu, adoram Jogos Olímpicos (e eu, particularmente, sou fascinada por todas as modalidades de atletismo).

Revolução das Plantas, de Stefano Mancuso (parte 1)

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Iniciei a leitura de A REVOLUÇÃO DAS PLANTAS, de Stefano Mancuso, pesquisador italiano de um novo ramo científico, a neurobiologia vegetal (ele é fundador do LINV - Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal).  Que as plantas têm serventia aos seres humanos e que não sobreviveríamos sem elas isso é prá lá de óbvio, mas ele faz uma provocação logo no início do livro: e se nós as estudássemos para aprendermos com elas? Afinal, possuem estratégias de sobrevivência totalmente distintas daquelas dos animais.  Além das características facilmente identificáveis que poderíamos elencar entre plantas e animais, ele menciona uma muito interessante: o fato de que os animais, incluindo nós, possuem órgãos com funções muito específicas, enquanto nas plantas as funções são espalhadas em toda sua estrutura. E o que isso significa na prática? Segundo ele, ESTRUTURAS COM FUNÇÕES CENTRALIZADAS SÃO MAIS FRACAS, pois são mais fáceis de serem destruídas, ao passo que ESTRUTURAS COM FUNÇÕES ...

Cibernética e Complexidade (parte 2)

Cibernética é uma palavra que vem do grego kybernetikē, que pode ser traduzida como a arte de governar. A ciência cibernética, por sua vez, começou a ser desenvolvida no final da década de 1940 pelo matemático Norbert Wiener, como resultado de seus estudos sobre a REGULAÇÃO DE SISTEMAS. Resumindo beeeeem a história toda, pense no seguinte: como um sistema pode funcionar corretamente sem ter feedbacks do seu funcionamento? (E se essa história de Feedback não é estranha pra você, fique certo, tem tudo a ver com isto aqui.) Não é à toa, portanto, que a CIBERNÉTICA passou a ser diretamente associada à COMUNICAÇÃO (mais especificamente aos estudos dos meios de comunicação de massa), mas também à Teoria da Informação, estudos de cognição, estudos dos sistemas adaptativos, CIÊNCIAS DAS LINGUAGENS e, consequentemente, à COMPUTAÇÃO. Não é à toa, também, que o prefixo CIBER passou a qualificar quase tudo relacionado à informatização do mundo: CIBERCULTURA, CIBORGUE, CIBERESPAÇO... Até mais ou me...

Afinal, por que falamos tanto de Complexidade?

A cada 10 palavras mencionadas hoje em dia, 10 estão relacionadas a COMPLEXIDADE. Mas o que, efetivamente, isso quer dizer? Complexidade vem do latim COMPLEXUS, isto é, aquilo que é TECIDO JUNTO. Essa imagem, por si, já traz a ideia de coisas profundamente interconectadas. A percepção de que o mundo se tornava cada vez mais complexo ganha força no início da década de 1970. Imagine que até então (na verdade, até hoje!) uma das estratégias da ciência para investigar um fenômeno estava em retirá-lo de seu contexto e dividi-lo em partes (a fim de que cada área da ciência pudesse investigá-lo a partir de seu ferramental próprio). Só que essa estratégia de dividir para analisar não estava sendo mais suficiente para se compreender uma sociedade cada vez mais interconectada, cada vez mais complexa. O sociólogo Edgar Morin foi um dos grandes expoentes a chamar a atenção para isso. Segundo ele, um dos grandes paradoxos da ciência no séc. XX foi produzir enormes avanços em medicina, engenharia, q...

Digital ou On-line?

Afinal de contas, quando uma empresa desenvolve uma experiência de aprendizagem digital ou uma instituição de ensino oferece um curso on-line do que estamos falando? Olha só: nem tudo o que é digital é on-line, mas tudo o que é on-line é digital. Muito simples: o mundo digital é tudo aquilo que pode ser codificado em linguagem binária. O tradicional 0 e 1. Por sua vez, o on-line (ou "em linha") emerge com o advento da rede global de computadores interconectados, que possibilitou que informações e conteúdos variados pudessem ser acessados diretamente dela. É o que acontece quando lemos uma informação de um site jornalístico ou assistimos a uma série de uma plataforma streaming com a internet ativa. A partir do momento que você faz o download desses conteúdos para seus dispositivos e os acessa, independentemente da internet estar ativa, eles passam a ser off-line. Por mais incrível que pareça, há ainda uma confusão em relação a essas duas condições, especialmente quando há uma ...