Sobre Redes, a origem da Internet e, de novo!, Complexidade
Outro dia escrevi sobre a relação entre (teoria de) sistemas e (teoria da) complexidade. Havia feito uma analogia de um sistema como se fosse uma gota de chuva num lago.
Esse é um dos motivos pelos quais, ao poucos, o entendimento do mundo como sistema (ou diversos sistemas) caiu em desuso (embora empreguemos o termo em diversos outros contextos, especialmente no caso dos softwares, ou quando falamos de ecossistemas, mas isso é outra história).
Um dos motivos pelos quais isso aconteceu foi justamente a ideia de fronteiras ou bordas, inerentes ao círculo, mas que não fazem muito sentido quando pensamos em redes.
E, olha que interessante, lá atrás, ao longo da década de 1960, a pedido do Departamento de Defesa Americano, iniciou-se o desenvolvimento de um sistema de comunicação conectando alguns centros de pesquisa universitários. O princípio (ou finalidade) era muito simples: ele não poderia ser destruído caso fosse alvo de ataques (lembre-se de que a década de 1960 foi marcada pela Guerra Fria). Para isso, ele não deveria ter um centro e a informação deveria "circular" em qualquer sentido.
Essa lógica é muito utilizada nas estratégias militares. Se você tem um centro que concentra informações, provisões e pessoas que controlam o processo decisório, basta destruir esse centro para desestabilizar o inimigo, certo?
Assim, entre 1969 e 1970 foram feitas as primeiras transmissões de informação via computadores e eis que surge a ARPANet (Advanced Research Projects Agency Network).
A partir daí, outros computadores de outros centros de pesquisa foram se conectando a essa rede, de modo que lá no final dos anos 1980 já havia mais de 100 mil usuários conectados. Ainda nesse período, foi liberado o uso comercial da rede.
Daí para a Internet como a conhecemos foi um pulo. Logo apareceram diversas empresas oferecendo o serviço de conectividade, que antigamente era feito via telefone. Com a popularização dos computadores pessoais, o modelo de hipertexto e o surgimento do WWW (World Wide Web), a rede global de computadores não parou mais de crescer.
Bom, mas o que eu queria explorar mesmo é a ideia de rede como RIZOMA.
E o que é o rizoma? São como BULBOS SUBTERRÂNEOS, cujas raízes expandem-se extensivamente e em todos os sentidos, como linhas que se entrecruzam formando nós.
Outra imagem de que gosto muito para compreender uma rede é o da TRAMA DE UM TECIDO. Quando um buraco é feito na trama, o tecido não se desfaz; é possível fazer costuras para fechar o buraco.
E, olha só que coisa, aquilo que é tecido junto é o que é complexo (lembrando da origem latina do termo, COMPLEXUS, cujo significado é exatamente esse).
Bom, ao mesmo tempo em que essa ideia de rede parece ser cada vez mais utilizada em diversos contextos, o conceito de sistemas se sofisticou. Isso, porém é tema para outro post.
#arpanet #internet #teoriadesistemas #network #rizoma
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